O monitoramento ambiental contínuo dos ecossistemas costeiros do Amapá ganhou mais um importante capítulo nos dias 20 e 21 de março, com a realização de uma nova saída de campo do Projeto Costamar no município de Amapá. A atividade teve como foco a coleta de dados diurnos e noturnos sobre o avistamento do caranguejo-uçá, espécie considerada fundamental para o equilíbrio ecológico dos manguezais amazônicos.
A ação ocorreu na Estação Ecológica de Maracá-Jipioca, unidade de conservação federal localizada no litoral norte do estado e administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área abrange as ilhas de Maracá e Jipioca e possui relevância estratégica para a preservação da biodiversidade costeira e marinha da Amazônia.
O Projeto Costamar é uma iniciativa do Instituto Redemar Brasil, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A proposta busca fortalecer ações de pesquisa, monitoramento e conservação ambiental nos ecossistemas costeiros amazônicos, contribuindo para a produção de dados científicos sobre espécies e dinâmicas ambientais da região.
Além dos dois técnicos responsáveis pelo monitoramento quinzenal da espécie, a expedição contou com a participação de outros quatro integrantes do projeto, que acompanharam as atividades de campo e puderam conhecer de perto a rotina do trabalho científico desenvolvido na área protegida.
A equipe saiu da base administrativa do ICMBio em direção à estação ecológica ainda nas primeiras horas da atividade, durante a noite. Após a chegada, os pesquisadores iniciaram o deslocamento pelos seis pontos estratégicos de coleta distribuídos ao longo das margens das ilhas. Os locais são previamente definidos para garantir a padronização metodológica do monitoramento e permanecem identificados por marcações com fitas amarelas.
Ao localizar cada ponto de coleta, a embarcação atracava próxima à margem para o início das análises em campo. Em seguida, os técnicos registravam informações como data e horário em pranchetas de monitoramento antes de entrarem no manguezal.
O procedimento técnico consistiu na utilização de uma linha de medição com 15 metros de extensão. Enquanto um dos pesquisadores permanecia na borda segurando o equipamento, o outro avançava pelo manguezal até o limite da linha, observando a presença ou ausência de caranguejos-uçá ao longo do percurso. Após a varredura visual, os dados eram registrados imediatamente nas fichas de campo.
Além da observação da espécie, a equipe também realizou análises ambientais complementares, incluindo medições de salinidade e temperatura da água nos rios próximos aos pontos monitorados. Esses indicadores auxiliam na compreensão das condições ambientais do ecossistema e ajudam a identificar possíveis alterações que possam impactar a fauna local.
Toda a sequência metodológica foi repetida nos seis pontos estabelecidos para o monitoramento de março. Durante esta etapa da pesquisa, não houve registro de “andadas” do caranguejo-uçá, fenômeno reprodutivo caracterizado pela saída dos animais das tocas para acasalamento, considerado um dos momentos mais importantes do ciclo biológico da espécie.
Segundo o supervisor do Projeto Costamar, Jonas Rosa, o monitoramento contínuo permite construir uma base de dados fundamental para futuras análises ambientais e estratégias de conservação.
“O acompanhamento periódico do caranguejo-uçá fornece informações essenciais sobre o comportamento da espécie e sobre as condições ambientais do manguezal. Mesmo quando não há registro de andada, os dados coletados possuem grande relevância científica para entendermos as dinâmicas ecológicas da região”, destacou.
A expedição também contou com a participação do estagiário do projeto, Matheus Serra, que acompanhou as atividades de monitoramento em campo e auxiliou na rotina da equipe durante a coleta de dados na Estação Ecológica de Maracá-Jipioca.
Para ele, a experiência proporcionou uma visão mais ampla sobre os desafios e a importância da pesquisa científica desenvolvida nos ecossistemas costeiros amazônicos.
“Participar dessa saída de campo foi uma experiência muito enriquecedora. Estar dentro do manguezal e acompanhar de perto cada etapa do monitoramento mostra como a pesquisa ambiental exige atenção, cuidado e compromisso com a conservação da natureza. É um trabalho que aproxima a ciência da realidade da Amazônia”, afirmou.
As atividades reforçam a importância do monitoramento científico em unidades de conservação da Amazônia costeira, especialmente em ecossistemas sensíveis como os manguezais, considerados essenciais para a manutenção da biodiversidade, proteção costeira e segurança alimentar de comunidades tradicionais.
Texto: Ana Paula Vilhena, jornalista e analista de comunicação do Projeto Costamar.


