No dia 6 de março, o Projeto Costamar realizou mais uma saída de campo no município de Oiapoque, no extremo norte do estado do Amapá, com foco no monitoramento diurno do caranguejo-uçá (Ucides cordatus) ao longo do período de março. A ação integra o cronograma contínuo de coleta de dados ecológicos da espécie em áreas de manguezal, contribuindo para o acompanhamento de seu comportamento e possíveis padrões reprodutivos.
Desde sua criação, o Projeto Costamar se consolida como uma iniciativa do Instituto Redemar Brasil, desenvolvida em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O projeto atua com foco na conservação dos ecossistemas costeiros e no fortalecimento de práticas sustentáveis nas regiões atendidas.
A atividade contou com a participação de dois técnicos responsáveis pelo monitoramento quinzenal, além de outros três integrantes da equipe, que acompanharam a rotina de campo e registraram a experiência. As ações ocorreram no Parque Nacional do Cabo Orange, uma unidade de conservação federal localizada entre os municípios de Calçoene e Oiapoque, na fronteira com a Guiana Francesa. A área é reconhecida pela extensa cobertura de manguezais e pela relevância ecológica na manutenção da biodiversidade costeira amazônica.
O deslocamento até o local de coleta levou cerca de uma hora e meia por via fluvial, com saída da base administrativa do ICMBio. Ao chegar ao parque, a equipe iniciou a busca pelo primeiro dos seis pontos de monitoramento distribuídos ao longo das margens do manguezal. Esses pontos são previamente definidos com base em critérios técnicos e sinalizados com fitas amarelas para facilitar a identificação em campo.
Em cada ponto, a embarcação foi posicionada próxima à margem para permitir o acesso dos técnicos ao interior do manguezal. As informações iniciais, como data e horário, foram registradas em pranchetas de campo. Em seguida, iniciou-se o procedimento de amostragem: com o auxílio de uma linha de 15 metros, um dos técnicos permaneceu na borda, enquanto o outro avançou pelo mangue, desenrolando o equipamento até sua extensão total. Durante esse trajeto, realizou-se a observação direta da presença ou ausência de indivíduos da espécie, com posterior registro dos dados coletados.
Após a verificação em solo, a equipe retornou à embarcação para a aferição de variáveis físico-químicas da água, incluindo a salinidade e a temperatura, parâmetros fundamentais para a análise das condições ambientais que influenciam o comportamento do caranguejo-uçá. Esse protocolo foi repetido nos seis pontos estabelecidos. Durante este monitoramento específico, não houve registro de “andadas” — fenômeno caracterizado pelo deslocamento em massa dos caranguejos, geralmente associado ao período reprodutivo.
Como estratégia complementar ao monitoramento direto, a equipe instalou uma câmera trap em um sétimo ponto estratégico. O equipamento permanece ativo por um período de 15 dias e tem a função de captar imagens automáticas a partir da detecção de movimento. A tecnologia amplia a capacidade de registro da fauna local, especialmente em intervalos fora do horário de observação presencial.
Toda a atividade contou com a verificação do supervisor regional do projeto, Jonas Rosa, que destacou a importância da continuidade do monitoramento para a geração de dados consistentes.
“O acompanhamento sistemático nos permite compreender melhor os padrões ecológicos do caranguejo-uçá nesta região. Mesmo quando não identificamos a andada, os dados coletados são fundamentais para análises comparativas ao longo do tempo e para a construção de estratégias de conservação mais eficazes”, afirmou.
A ação também teve registro audiovisual conduzido pelo cenografista Carlos Leopoldo, responsável pela produção de um futuro documentário sobre o projeto. Para ele, a experiência em campo revela a complexidade e a riqueza do trabalho ambiental.
“Passar um dia no manguezal com a equipe do Costamar mostra o quanto esse ecossistema é dinâmico e desafiador. Cada etapa exige atenção, técnica e respeito à natureza. É um processo silencioso, mas extremamente potente em termos de impacto ambiental e conscientização”, relatou.
As atividades desenvolvidas pelo Projeto Costamar reforçam a importância do monitoramento científico contínuo em áreas protegidas, especialmente em ecossistemas sensíveis como os manguezais. A produção de dados qualificados contribui não apenas para a conservação da biodiversidade, mas também para o embasamento de políticas públicas e ações de manejo sustentável na região amazônica.
Sobre o Instituto Redemar Brasil
Fundado em 2016, o Instituto Redemar Brasil é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada à conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros no Brasil. Com sede em Salvador (BA) e atuação nacional, desenvolve projetos, pesquisas e ações de conscientização, além de capacitar profissionais e voluntários para a conservação ambiental.
Texto: Ana Paula Vilhena, jornalista e analista de comunicação do Projeto Costamar.
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