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Projeto Costamar registra maior andada de caranguejo-uçá do ano em Maracá-Jipioca, no Amapá


Monitoramento realizado na madrugada de 30 de agosto amplia conhecimento sobre o ciclo reprodutivo da espécie e traz novos elementos para a discussão sobre o período de defeso no estado

O monitoramento das andadas reprodutivas do caranguejo-uçá realizado pelo Projeto Costamar registrou, na madrugada de 30 de agosto de 2026, a maior ocorrência do fenômeno observada pela equipe neste ano na Estação Ecológica de Maracá-Jipioca, no Amapá.

A dimensão da andada chamou a atenção dos pesquisadores. De acordo com a equipe responsável pelo acompanhamento, foram observados caranguejos em todos os pontos percorridos durante a atividade, tornando o registro o mais expressivo de 2026 até o momento.

As chamadas “andadas” são períodos associados à reprodução do caranguejo-uçá, quando os animais deixam suas tocas e se deslocam pelo manguezal. A identificação das épocas em que o fenômeno ocorre é uma das principais frentes de pesquisa do Costamar no Amapá. O projeto realiza o acompanhamento na Estação Ecológica de Maracá-Jipioca e no Parque Nacional do Cabo Orange, com o objetivo de produzir informações que contribuam para a conservação da espécie e para o aprimoramento da gestão da pesca.

Para Thiago Couto, Coordenador Técnico-científico do Projeto Costamar e diretor de Biodiversidade do Instituto Redemar Brasil, o registro de agosto é especialmente relevante por reforçar evidências que vêm sendo identificadas durante o acompanhamento da espécie.

“Essa foi a maior andada que vimos no ano até o momento. Tivemos registro de caranguejos andando em todos os pontos monitorados à noite. É um dado muito importante para entendermos melhor como acontece o ciclo reprodutivo da espécie no Amapá”, destaca Thiago Couto.


Monitoramento traz novos dados sobre o período reprodutivo

Os resultados obtidos pelo Costamar também estão trazendo novos elementos para uma questão importante: a relação entre as épocas em que as andadas estão sendo registradas no Amapá e o período de defeso atualmente estabelecido para proteção da espécie.

Desde o lançamento do projeto, uma das hipóteses investigadas é justamente a existência de diferenças entre o período das andadas no Amapá e aquele observado em outras partes do país. O monitoramento foi concebido para acompanhar esse comportamento durante três anos e gerar uma base de dados mais consistente.

Segundo Couto, os registros realizados até agora indicam que o período de proteção não tem abrangido toda a atividade reprodutiva observada pela equipe. Ele ressalta, entretanto, que ainda é necessário ampliar a série histórica antes de estabelecer conclusões definitivas.

“O que a gente sabe, minimamente, neste momento é que o período de defeso não está abrangendo todo o período reprodutivo. No ano passado tivemos registros de andada no mesmo período desse ano, o que não bate o período de defeso estabelecido. Ainda precisamos de um monitoramento de longo prazo para entender esses ciclos e chegar a uma conclusão com maior segurança”, explica.

A cautela se deve à possibilidade de variações naturais entre os anos. Por isso, uma das principais contribuições do projeto será justamente a construção de uma série de dados capaz de mostrar se os registros observados atualmente representam um padrão reprodutivo característico dos manguezais amapaenses.

Em março deste ano, por exemplo, uma etapa do monitoramento realizada nos seis pontos estabelecidos em Maracá-Jipioca não registrou andadas. Cinco meses depois, a equipe identificou a maior ocorrência de 2026 até agora.

A continuidade desse acompanhamento poderá fornecer informações para subsidiar futuras discussões sobre o período de defeso, buscando aproximar as medidas de proteção do ciclo reprodutivo efetivamente observado no Amapá e, ao mesmo tempo, considerar a realidade dos trabalhadores que dependem da captura do caranguejo-uçá para geração de renda.

O Projeto Costamar é uma iniciativa do Instituto Redemar Brasil, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e desenvolve ações voltadas ao monitoramento ambiental, à conservação dos ecossistemas costeiros e ao fortalecimento das comunidades pesqueiras do Amapá.

Texto: Renato Palhano, jornalista

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