Visita promoveu troca de conhecimentos com moradores, valorizou os saberes da pesca artesanal e abriu caminhos para futuras ações de educação socioambiental na comunidade.
O caminho até a Vila do Taparabú, em Oiapoque, no Amapá, é feito pelo rio. Localizada às margens do Rio Oiapoque, a cerca de 10 quilômetros da sede do município, a comunidade fica próxima a áreas de reserva indígena e a localidades como a aldeia Galibi. O trajeto de aproximadamente uma hora de barco revela a relação direta entre o território e as águas, que conectam lugares e fazem parte do cotidiano de seus moradores.
Foi nesse cenário que a equipe do Projeto Costamar, do Instituto Redemar Brasil, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, realizou uma visita de aproximação com a comunidade. O objetivo foi conhecer de perto a realidade local, ouvir os moradores e identificar temas e necessidades que possam orientar futuras ações de formação socioambiental.
Na vila, a pesca ocupa um lugar importante na vida das famílias, tanto para o consumo quanto para a comercialização. A atividade também envolve a produção artesanal de materiais utilizados na captura dos peixes, como as redes confeccionadas manualmente por pescadores da região.
Durante a visita, a equipe acompanhou de perto esse trabalho e conversou com moradores sobre suas experiências e o cotidiano da comunidade. Mais do que apresentar o projeto, a proposta foi fortalecer o diálogo e compreender quais conhecimentos e atividades podem contribuir para a realidade local.
Da floresta ao mar: educação ambiental construída em grupo
A programação da visita também contou com uma atividade conduzida pela professora Rayla Santos, com base na cartilha Da Floresta ao Mar, material educativo do projeto que aborda a importância da conservação ambiental, os impactos da poluição nos rios e oceanos e os riscos associados aos microplásticos.
Para estimular a participação dos moradores, Rayla propôs uma dinâmica em grupo. Em uma cartolina, os participantes desenharam uma grande folha e dividiram o espaço para representar elementos que contribuem para a conservação das águas e aqueles que não devem estar presentes nos rios e oceanos, como os resíduos poluentes.
A partir dos desenhos, a professora conduziu uma reflexão sobre cada elemento apresentado e relacionou os exemplos ao conteúdo da cartilha, com atenção à importância dos ambientes naturais para a vida e para as atividades desenvolvidas pela comunidade.
“Levar essas informações até a comunidade é uma oportunidade de compartilhar conhecimentos, mas também de aprender com quem vive diariamente essa relação com o rio. A educação ambiental ganha ainda mais sentido quando dialoga com a realidade das pessoas e contribui para que elas reconheçam a importância de cuidar dos ambientes dos quais também dependem”.
Escuta e troca para construir os próximos passos
A atividade durou cerca de 40 minutos e marcou um primeiro momento de aproximação mais aprofundada com os moradores. A visita também permitiu à equipe conhecer parte da vila, conversar com as famílias e observar práticas tradicionais que integram a rotina local.
Para Dona Matilde, moradora que vive há muitos anos na comunidade, a presença do projeto representa uma oportunidade de diálogo e aproximação com iniciativas voltadas à realidade de quem vive no território.
“É importante receber pessoas que vêm conhecer nossa comunidade, conversar com a gente e entender como vivemos aqui. Esse contato permite mostrar nossa realidade e trocar conhecimentos que podem contribuir para o cuidado com o lugar onde moramos.”
A visita a Vila Taparabú integra o trabalho de aproximação do Projeto Costamar com as comunidades costeiras e ribeirinhas. A partir das conversas e das observações realizadas, a equipe poderá avaliar quais temas e cursos socioambientais fazem mais sentido para os moradores e como desenvolver futuras ações alinhadas às necessidades locais.
Em um território onde o rio conecta pessoas, trabalho e modos de vida, conhecer a comunidade é também um passo importante para construir iniciativas de educação ambiental mais próximas de quem vive essa realidade todos os dias.
Texto: Ana Paula Vilhena, jornalista e analista de comunicação do Projeto Costamar.


